Comissionamento

Introdução

O comissionamento é o processo pelo qual asseguramos que os sistemas foram projetados, instalados, testados em suas funcionalidades e capazes de ser operados e mantidos de acordo com projeto concebido e necessidades operacionais. Comissionamento também fornece testes de falhas e procedimentos operacionais que não podem ser executados quando o data center está em produção.

Historicamente, o comissionamento tem sido associado com os sistemas de refrigeração. Hoje, o comissionamento tornou-se um Importante processo de controle de qualidade que engloba toda a edificação do Data Center.

Devido aos seus requisitos e sistemas únicos, um Data Center deve ser comissionado de acordo com as diretrizes e requisitos da normatização e de melhores práticas.

O processo de comissionamento não é uma fase isolada na construção de um data center. Em vez disso, o comissionamento é executado em todas as fases da construção do Data Center, incluindo:

  • Fase de planejamento
  • Fase de projeto
  • Fase de construção
  • Fase de aceitação
  • Fase pós-aceitação

Principais Sistemas Comissionados

Os serviços de comissionamento são aplicados, obrigatoriamente, aos seguintes sistemas e equipamentos:

  • Instalações Elétricas :
    • Aterramento;
    • Iluminação;
    • UPS
    • Quadros e cabos elétricos;
  • Ar Condicionado de Precisão;
  • Detecção e Alarme a Incêndio :
    •  Detecção de Alta Sensibilidade;
    •  Detecção por Aspiração;
    •  Combate com Gás Novec 1230 / FM-200;
  • Controle Ambiental / Automação ( DCIM );
  • Cabeamento Estruturado.

Outros sistemas também podem ser comissionados tais como : Controle de acesso; CFTV; serviços auxiliares.

Etapas do Comissionamento da Innotechno

A Innotechno realiza o comissionamento do Data Center em três etapas distintas :

Etapa 1 –  Verificação da Documentação da Obra

Antes dos inspeção física e testes normatizados da instalação são verificados os seguintes documentos do Data Center :

  •  Projetos – As plantas baixas da edificação e suas respectivas informações tem que ser fiel ao instalado;
  • Esquemas unifilares / Diagramas Lógicos – toda a instalação  deve estar descrita em um esquema unifilar ou diagrama lógico com os detalhes necessários para a execução e verificação como capacidades dos componentes, identificações, exceções etc. Outros esquemas, que não os esquemas unifilares/diagramas, podem ou devem ser apresentados quando necessário, contendo outras descrições que possam auxiliar tanto na verificação, como na manutenção, ou mesmo na operação;
  • Detalhes de montagem – Em casos onde a montagem de algum componente da instalação é de forma não simplificada, deve haver documentos que mostrem estes detalhes de montagem, de forma a garantir que os inspetores verifiquem se a montagem está correta. Um exemplo está em componentes que devem ser instalados em uma única posição (alguns tipos de disjuntores), ou outros que possuem maneiras de instalar os fios (caso de alguns DR’s), há também os casos de conectores, que devem sofrer pressões e torques máximos em seus parafusos, por tudo isso os detalhes de montagem devem ser anexados à documentação sempre que necessário;
  • Memorial descritivo da instalação – Como o nome diz, trata-se de um descritivo com toda a memória da instalação dos sistemas onde consta todo o funcionamento da instalação, memórias de cálculos, normas aplicadas, e todo e qualquer detalhe que for imprescindível para a compreensão da instalação;
  • Especificação dos componentes – Este item, também de fundamental importância, deve conter todos as descrições dos componentes de toda a instalação, bem como as características de cada um e as normas aplicáveis, quando existentes, para cada um dos componentes. Desta forma se consegue obter na verificação a garantia que a instalação  foi concebida de acordo com o projeto e este projeto garante a qualidade e segurança para os usuários desta instalação. Como exemplo, podemos citar uma tomada, que deve possuir a característica nominal, como corrente e tensão, tipo três polos, norma e certificação aplicáveis, além de outros parâmetros que forem relevantes;
  • Parâmetros de projeto – este documento traz todos os parâmetros usados para o cálculo dos sistemas, desde correntes de curto-circuito presumida, queda de tensão calculada, fatores de demanda considerados, temperatura ambiente, fator de agrupamento, tipo de montagem etc. Este documento permite a qualquer profissional partir para uma modificação, ampliação, ou mesmo reforma, tendo como base os parâmetros levados em conta no projeto inicial. Vale lembrar que cada modificação efetuada nas instalações físicas devem ser alvo de atualização da documentação. Esta ressalva é importante à medida que uma instalação é projetada e encontra algumas dificuldades para a implementação no ponto de vista físico, algumas vezes devido a problemas arquitetônicos, outros por facilidade na instalação, e acabam sofrendo pequenas modificações que podem se tornar significativas. Por este motivo, toda a documentação ao ser entregue quando do término do trabalho, deve ser revisada para ilustrar exatamente o que foi construído, para isso é chamada de “AS BUilT”;

Etapa 2 –  Inspeção Física Visual

Antes de qualquer teste ou ensaio a ser realizado em uma instalação elétrica, é necessário proceder a uma inspeção visual para verificar a implementação de todas as medidas de proteção e segurança. Esta inspeção permite verificar se todos os componentes que constituem a instalação estão de acordo com as respectivas normas de fabricação de cada componente isso pode ser visto através da verificação da certificação pelos órgãos competentes. Além disso, permite a verificação da implementação das medidas de proteção e segurança, dentro dos requisitos mínimos exigidos pela norma , além de outras ações que fazem com que a instalação elétrica esteja construída de forma segura e com qualidade foram implementadas

  • COMPONENTES

A seleção dos componentes de uma instalação levando em consideração os parâmetros descritos em norma é um item da verificação visual tão importante quanto os demais, pois é neste item que se identifica a presença de todos os componentes de proteção, como disjuntores, fusíveis, DR´s, condutor de proteção, tomadas 2 pólos com o terceiro pino – 2P+T, etc. Após a identificação da presença de cada componente e de posse da documentação, iniciamos a verificação das características de cada componente, como é o caso da cor do condutor de proteção, a corrente de atuação do DR, a capacidade de interrupção do disjuntor, etc. Estes dados serão obtidos na documentação do projeto.

  • PROTEÇÃO CONTRA CHOQUE ELÉTRICO

– Medida de proteção contra choques elétricos conforme item 5.1 da NBR5410/04.

Dois princípios fundamentais para proteção contra choques elétricos são descritos a seguir e explica o porquê estas medidas devem estar presentes em qualquer instalação:

Partes vivas perigosas não devem ser acessíveis. Isto significa que precauções como: isolamento de fios, cabos, condutores vivos em geral devem ser tomados. Os quadros de distribuição, geral, cargas, ou comando, ou qualquer outro quadro que possuam partes vivas perigosas, devem possuir barreiras de modo a não permitir o acesso aos condutores vivos. Dispositivos como soquetes de lâmpadas, plafunier, ou semelhantes, devem prover barreiras para que os usuários não acessem acidentalmente as partes vivas e possam sofrer um choque elétrico.

Massas ou partes condutivas acessíveis não devem oferecer perigo, seja em condições normais, ou em condições que as tornem acidentalmente vivas. As massas metálicas não energizadas devem ser motivo de proteção contra choques para que no caso de uma falha e energização acidental desta massa, os usuários não sejam expostos ao risco de choque elétrico. Com a identificação e inspeção deste item garantimos que os dispositivos de proteção contra choques estarão dispostos e dimensionados para serem usados quando necessário.

  • PROTEÇÃO CONTRA EFEITOS TÉRMICOS

Medidas de proteção contra efeitos térmicos conforme item 5.2 da NBR5410/04

As pessoas e os equipamentos devem ser protegidos contra os efeitos térmicos prejudiciais que possam ser produzidos pelos componentes e causar:

  • Risco de queimaduras
  • Combustão ou degradação dos materiais
  • Comprometimento da segurança de funcionamento dos componentes instalados

A NBR5410/04 proíbe o uso de materiais combustíveis como parte de suas instalações como é o caso do uso de madeiras nos quadros de distribuição.

  • TIPOS DE LINHAS ELÉTRICAS

Seleção e instalação das linhas elétricas

A verificação visual passa pelo tipo de instalação escolhida, como eletrodutos, calhas abertas, calhas fechadas, etc. Os tipos de condutores e os seus materiais de isolação, como PVC, EPR, XLPE, também serão alvo da inspeção visual, outro item importante está na característica do isolante do cabo, que deve ser não propagantes a chama e livres de halogênio, tecnologia que inova o material isolante dos cabos e garante que em um incêndio, o condutor de eletricidade não seja o propagante da chama e também não emita fumaça e gases tóxicos.

Dentro deste assunto a seção mínima dos condutores, como é o caso de fios com seção de 1,5 mm2 para circuitos que comandem circuitos de iluminação, e as seções de 2,5 mm2 para circuitos que atendam a tomadas de uso geral, devem ser respeitadas e fazem parte dos itens verificados na inspeção visual.

Ainda dentro deste assunto podemos encaixar a verificação das conexões, que devem estar em perfeitas condições e garantir a continuidade do serviço. Um ponto importante nas conexões, está a conexão com o eletrodo de aterramento, que se pode aproveitar para verificar inclusive as condições do próprio eletrodo, que deve manter a integridade, permitindo um perfeito funcionamento dos dispositivos de segurança.

  • SEPARAÇÃO DOS CIRCUITOS

A separação dos circuitos de iluminação e de tomadas será confirmada através da inspeção.

A separação dos condutores de proteção (terra) e neutro, de acordo com o esquema de aterramento adotado, também serão verificados nesta inspeção.

Aproveitando esta etapa da verificação, conferiremos se o condutor de proteção (fio terra) está instalado em todos os pontos de alimentação e todas as tomadas, bem como se há algum condutor neutro sendo usado como condutor de proteção.

  • FIOS E CONDUTORES SOLTOS OU EXCESSO DE FIOS

A presença de condutores soltos, sem uma proteção, exceto quando possuírem características para tal, será verificado, já que os condutores devem ser protegidos mecanicamente, através de eletrodutos, bandejas, eletrocalhas, etc. Também a quantidade de fios nas canaletas, eletrodutos ou calhas, será observada visualmente, já que é recomendado que a ocupação dos eletrodutos não tenham mais que 40% de ocupação em fios.

  • CONFORMIDADE

Durante a inspeção visual, um dos itens a ser verificado está em relação à conformidade com a norma e com os órgãos certificadores quando aplicáveis. Esta verificação será efetuada pela presença de marca de conformidade diretamente no produto, pode também ser através da identificação da marca de certificação por um órgão competente, como no caso do INMETRO. Outra forma de conformidade com as normas pode ser obtida pela declaração do próprio fabricante, que declara que o produto está de acordo com uma determinada norma, neste caso a verificação de uma etiqueta, marcação no produto, ou mesmo um documento garante este procedimento.

  • INTEGRIDADE FÍSICA DOS COMPONENTES

A integridade física dos componentes de uma instalação será verificada através da inspeção visual. Isto significa verificar se cada um dos componentes da instalação elétrica, não está danificado, faltando peças ou pedaços, com sinais de superaquecimento, ou qualquer outro sinal que coloque em dúvida a integridade de cada componente. Desta forma estamos garantindo que os produtos estarão em perfeitas condições de uso, e aliado ao item da certificação, também é garantia de qualidade e segurança de cada um dos componentes da instalação.

Além da inspeção com relação à integridade dos componentes, algumas perguntas devem ser feitas e respondidas pela inspeção visual:

Há alguma caixa de ligação, ou caixa de passagem que está sem tampa?

Estes componentes, ou mesmo quadros de distribuição, e qualquer outro ponto que o usuário possa ter acesso a fios e cabos, devem sempre ter uma proteção de forma que os usuários não tenham acesso e não possam correr riscos, a menos que seja desmontado por alguma ferramenta.

As emendas, conexões e derivações estão bem isoladas e dentro das caixas, seja de passagem ou de distribuição?

As emendas e conexões de condutores entre si e também com outros componentes da instalação devem garantir continuidade elétrica durável, adequada suportabilidade mecânica e adequada proteção mecânica como diz o item 6.2.8 da NBR5410/04. Isto inclui o uso de material de boa qualidade tanto para o condutor, e para o isolamento.

O isolamento de uma conexão, NUNCA, deve ser realizado dentro de eletroduto, calhas, ou qualquer outra parte da instalação que não sejam as caixas de passagens ou caixas de derivações, e todas as conexões devem estar acessíveis para verificação, ensaio e manutenção.

O quadro de distribuição está limpo, seco e identificado?

A limpeza das partes da instalação elétrica (quadro de distribuição, caixas de passagem, quadro geral, etc) juntamente com a ausência de umidade ou produtos que possam colocar em risco a instalação elétrica devem ser verificados visualmente e caso apresente uma destas falhas, ser imediatamente solucionado.

Cada quadro deve também possuir identificação através de etiquetas, placas ou outros meios.

  • IDENTIFICAÇÃO

Da mesma forma que os quadros devem ser identificados, os diversos dispositivos de comando, manobra e/ou proteção devem ter sua identificação feita de forma a permitir que o usuário conheça sua finalidade.

Ainda no assunto identificação, o uso de cores da isolação para identificação dos condutores devem seguir as seguintes regras:

  • Condutor de proteção (fio terra) deve ser identificado pelas cores, verde com listras amarelas, ou simplesmente na cor verde;
  • Condutor neutro – deve ser identificado pela cor azul claro;
  • Condutor PEN (PE + Neutro) deve ser identificado pela cor azul claro e possuir anilhas na cor verde e amarelo em todos os pontos visíveis da instalação;

Condutores fase, assim como qualquer outro condutor que seja usado em uma instalação elétrica com funções diferentes das anteriores descritas, podem ser identificados por quaisquer outras cores que não as descritas para o condutor PE, Neutro ou PEN.

  • ACESSIBILIDADE

A acessibilidade da instalação elétrica, principalmente o quadro de distribuição e comando, será alvo da inspeção visual. Os componentes da instalação elétrica, incluindo as linhas elétricas devem ser dispostas de forma a facilitar sua inspeção, operação, manutenção e acesso às conexões. Resumindo, o acesso não pode ser significativamente reduzido pela montagem dos componentes em invólucros ou compartimentos, ou mesmo obstruído por qualquer que seja o dispositivo.

Etapa 3 – Testes Funcionais (Ensaios Normatizados)

É a etapa da obra em que as instaladoras e empresas comissionadoras realizam uma série de verificações e testes funcionais dos equipamentos de cada sistema, de forma a garantir que as instalações atendem as especificações de projeto, normas técnicas aplicáveis e a boa prática da engenharia, proporcionando as condições necessárias e seguras para o “startup” dos equipamentos e sistemas.

TESTES INTEGRADOS

      É o conjunto de técnicas e procedimentos de engenharia aplicados de forma integrada a um empreendimento, visando torná-lo operacional, dentro dos requisitos especificados em projeto. Nesta etapa são avaliadas as integrações funcionais entre os sistemas de energia elétrica, detecção e alarme de incêndio, supervisão e controle de utilidades, controle de acesso, climatização e sistema de rede e cabeamento estruturado.

      O objetivo principal é prover a confirmação documental necessária para garantir que os sistemas de construção em conjunto com os critérios estabelecidos nos documentos de projeto satisfaçam as necessidades operacionais, assegurando a transferência da unidade do construtor para o cliente / proprietário de forma ordenada e segura, certificando a sua operabilidade em termos de segurança, desempenho, integração dos subsistemas, confiabilidade, bem como a rastreabilidade de informações.

Testes necessários :

  • Medição da resistência de isolamento dos cabos alimentadores;
  • Medição da resistência de isolamento dos cabos de distribuição;
  • Medição de tensão, polaridade e continuidade dos circuitos;
  • Verificação dos quadros e conexões elétricas;
  • Verificação da continuidade dos condutores de proteção;
  • Ensaio de resistência de aterramento;
  • Verificação do nível de luminosidade no Data Center;
  • Teste integrado UPS / PDUs / Sistema de ar condicionado;
  • Simulações / testes no sistema de detecção, alarme e combate a incêndio;
  • Verificação / teste no sistema de Supervisão e Controle de Utilidades